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sábado, 23 de janeiro de 2021

Estátua O Porto

 Portugal \ Porto \ Porto \ União das Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória


Praça da Liberdade, Porto. Implantado no passeio junto ao edifício do Banco de Portugal.

É também chamada de Malhão.

Personifica a cidade do Porto.

Construída em 1818, em granito, da autoria do mestre pedreiro João da Silva e do escultor João de Sousa Alão. Inspirada numa escultura conhecida como O Porto primitivo que existia na Rua das Eiras, próxima da Sé e mencionada desde 1293.


Retrata um guerreiro segurando uma longa lança e um escudo com as armas da cidade e a inscrição Portus Cale. A cabeça é coberta com elmo (capacete militar) encimado por dragão.

Está assente num pedestal em granito.


Foi inicialmente colocada sobre o frontispício do palacete Monteiro Moreira, residência adaptada para servir como sede da Câmara Municipal, situada na antiga Praça Nova das Hortas (atual Praça da Liberdade).

Em 1916, quando o velho edifício dos Paços do Concelho foi demolido para a abertura da Avenida dos Aliados, foi transladado para junto do Paço Episcopal, quando ali funcionou a Câmara Municipal.

A partir de 1935 passou por vários locais como os jardins do Palácio de Cristal e pelo jardim de Arnaldo Gama, junto ao pano de muralha fernandina, nos Guindais.


Em 2002, o arquiteto Fernando Távora colocou-a nas traseiras da Casa dos 24, no Terreiro da Sé.

Finalmente, em abril de 2013, 97 anos depois, regressou à Praça da Liberdade, perto do local onde foi colocada originalmente.

 

Painel informativo localizado no monumento, 2020
etcetaljornal.pt (“O Porto” – A estátua que simboliza a cidade, 2020)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Igreja e Hospital da Santíssima Trindade (Porto)

 Portugal \ Porto \ Porto \ União das Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória


Praça e Rua da Trindade, Porto.

Conjunto edificado que inclui a igreja e o complexo hospitalar da Ordem da Trindade, ocupando a totalidade de um quarteirão de desenho retangular.

A igreja, voltada para a Praça da Trindade, foi projetada no início do século XIX pelo arquiteto e engenheiro militar Carlos Amarante, em estilo neoclássico. A primeira pedra foi colocada a 17 de abril de 1803.

O projeto foi alterado em 1818 por J. Francisco Guimarães e a sua construção concluída no início do século XX.

Apresenta planta em cruz latina, com nártex, nave única, cúpula sobre o cruzeiro, transepto prolongado ao Evangelho por capela octogonal e capela-mor profunda.


A fachada, em cantaria, é dividida em dois andares por entablamento e separada em três panos por pilastras. Rematada, ao centro, por torre sineira.


O piso inferior é rasgado por três portais de arco pleno com portão que dá acesso ao nártex, sendo o central composto por bandeira com a legenda SOLI DEO HONOR ET GLORIA, encimado pela insígnia da Santíssima Trindade rodeada por raios lanceolados. Sobre o portal central está o brasão da Ordem inserido em cartela oval coroada, ladeada por festões.


O segundo piso é rasgado por três janelas. No pano central, a ventana apresenta balaustrada e remate em frontão triangular, enquanto as laterais, em arco pleno, são encimadas por frontões curvos.


No topo, o pano central termina em frontão curvo, ladeado por dois áticos balaustrados, separados pela torre sineira. Nas extremidades localizam-se as estátuas de São João de Matha e a de São Félix de Valois, esculpidos em 1850 por João Albertino Azevedo e João Batista Ribeiro.

 A torre, de planta quadrada, está dividida em três corpos: um basamento enquadrado por pilastras que inclui o relógio envolvido por festão, o corpo das janelas sineiras e a cobertura em pirâmide, ladeada por urnas. Termina em esfera e cruz latina de metal.


Os edifícios que envolvem a igreja, fazem parte do complexo hospitalar da Ordem da Trindade, com construção iniciada em 1815 e inauguração a 6 de junho de 1853. Mais tarde funcionou como liceu.

Os volumes simétricos que ladeiam o frontispício da igreja têm três pisos com cinco vãos em arco de volta perfeita no piso térreo, a que se sobrepõem cinco janelas de sacada no segundo piso e cinco janelas de mansarda com frontões triangulares. O piso intermédio é revestido a azulejos azul e os restantes em cantaria.


A fachada Este, virada para a Rua da Trindade, possui um corpo central sobrelevado, delimitado por pilastras e rematado por frontão triangular, que é ladeado por dois panos ritmados por dez vãos em cada piso.

 

Painel informativo junto ao monumento, 2020
monumentos.gov.pt (Igreja e Hospital da Trindade, 2020)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Paços do Concelho do Porto

 Portugal \ Porto \ Porto \ União das Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória




Praça General Humberto Delgado, Porto.

Implantado no topo da Avenida dos Aliados, em posição de destaque.

Foi iniciado em 1920, segundo projeto do arquiteto António Correia da Silva, que teve como inspiração a Ópera de Paris.

Após inúmeras interrupções, em 1947 foi dado um último impulso para a conclusão das obras, terminadas em 1957, já sob a direção do arquiteto Carlos Chambers Ramos.

Edifício de grande presença arquitetónica, constituído por seis pisos, uma cave e dois pátios interiores. Dominado ao centro por uma robusta torre.

É acedida através de duas rampas laterais junto à fachada principal. Substituíram a escadaria frontal construída originalmente. Uma das alterações realizadas pelo arquiteto Carlos Chambers Ramos.

 

A fachada principal, em cantaria de granito, desenvolve-se em três registos.

O inferior, constituído por fiadas salientes e arestadas, é rasgado por sete portais sobrepujados e intercalados por mísulas, a que se sobrepõem varandas.


A ladear a porta principal, dois atlantes suportam a varanda central, mais saliente que as restantes.


O segundo piso é constituído por sete pórticos ladeados por colunas e rematados por frontões. São encimados por óculos com grinaldas, ao nível do mezanino, à exceção do vão central, que é rematado por arco de volta perfeita com aduela ao centro e tímpano exibindo as armas portuguesas. Sobre o arco, duas figuras masculinas.


Sob a cornija surgem doze brasões que correspondiam ao número das freguesias que constituíam o concelho do Porto à época de construção.

O último registo é marcado por conjuntos de arcadas triplas intercaladas por doze estátuas, de tradição helénica, que suportam a platibanda, percorrida por balaustrada. As cariátides representam da esquerda para a direita: Navegação, Pesca, Agricultura, Viticultura, Construção Civil, Indústria, Ciências, Arquitetura, Escultura, Pintura, Música e Literatura. Sousa Caldas é o autor das seis primeiras e Henrique Moreira das restantes.

A torre, com 70 metros de altura, apresenta planta quadrangular de volumes escalonados. Para atingir o seu topo é necessário subir 180 degraus.


Avenida dos Aliados continua em mudança e a encher-se de hotéis; Jornal de Notícia; 27/12/2020; Alfredo Teixeira
Painel informativo junto ao monumento, 2020
cm-porto (Edifício Paços do Concelho, 2020)
monumentos.gov.pt (Câmara Municipal do Porto / Edifício dos Paços do Concelho do Porto, 2020)

domingo, 3 de janeiro de 2021

Avenida dos Aliados (Porto)

 Portugal \ Porto \ Porto \ União das Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória


Espaço estruturado pela Praça da Liberdade, Avenida dos Aliados e Praça General Humberto Delgado, Porto.

É formado pelas duas praças ligadas por ampla avenida, de faixa dupla e ampla faixa central, com o edifício dos Paços do Concelho no topo.


Estátua equestre de Dom Pedro IV

Toda a zona dos Aliados, estátuas incluídas, forma um conjunto classificado como de Interesse Público desde 14 de junho de 2011.

É considerado o coração da cidade e a sua sala de visitas.


Edifício A Nacional

Autêntico “Museu” de arquitetura e de cultura da primeira metade do século XX, ao gosto Beaux Arts de influência francesa. Constituído por um conjunto de edifícios monumentais com fachadas, na sua maioria, harmoniosas e elegantemente decoradas, muitas delas coroadas por lanternins, cúpulas e coruchéus.


Antigos Paços do Concelho, demolidos para a abertura da Avenida

O seu projeto esteve a cargo do arquiteto inglês Barry Parker, com as obras a arrancarem a 1 de fevereiro de 1916, sob a direção do arquiteto José Marques da Silva. Para a abertura desta avenida foi necessário demolir os antigos Paços Concelho, o Bairros dos Laranjais e de outras várias ruas como a do Laranjal e a de Dom Pedro IV. As entidades da época queriam que fosse tão ampla que pudesse competir com a Plaza Mayor de Madrid.

Recebeu inicialmente a designação de Avenida das Nações Aliadas, em homenagem à vitória aliada na I Guerra Mundial.


Atuais Paços do Concelho do Porto

Em 2006, com a chegada do Metro aos Aliados, os espaços ajardinados com canteiros de flores e os desenhos da calçada portuguesa que aqui existiam, foram substituídos por pavimento de granito numa polémica requalificação projetada pelos arquitetos Souto Moura e Siza Vieira. A par disso, os passeios tornaram-se mais largos e arborizados, dando a ideia de um espaço urbano mais amplo,

Nos últimos anos, as instituições bancárias e as sedes dos principais jornais, companhias de seguro ou das várias empresas que outrora ocupavam os monumentais edifícios, deram lugar a hotéis, lojas e apartamentos de luxo.

A Avenida é ainda palco das principais festas da cidade. É ali que todos se encontram nas passagens de ano, no São João, nas conquistas do FC Porto ou em concertos ao ar livre. Memoráveis são também as visitas papais ou da rainha Isabel II, e a celebração do 25 de abril de 1974 e o 1º de maio que se lhe seguiu.

Avenida dos Aliados continua em mudança e a encher-se de hotéis; Jornal de Notícia; 27/12/2020; Alfredo Teixeira
Painel informativo situado junto à estátua equestre de Dom Pedro IV, 2020
monumentos.gov.pt (Avenida dos Aliados, Praça da Liberdade e Praça General Humberto Delgado, 2020)
portugalvivo.com

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Forte de São João da Foz

Portugal \ Porto \ Porto \ União das Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde

Esplanada do Castelo, Foz do Douro, Porto.
É também conhecido por Forte de São João Baptista ou simplesmente por Castelo.
Desfruta de excelente posição sobre a entrada no rio Douro.
Está classificado como Imóvel de Interesse Público desde 6 de outubro de 1967.
Forte iniciado em 1570, durante o reinado de Dom Sebastião, da autoria do mestre em fortificações, Simão de Ruão. Foi edificada ao redor da igreja e do palácio abacial mandados construir em 1527 por ordem do bispo Dom Miguel da Silva, segundo projeto do arquiteto italiano Francesco de Cremona, num exemplar precoce da arquitetura renascentista em Portugal.
Durante as Guerras da Restauração, Dom João IV, receando uma invasão espanhola pelo norte, ordena que se modernize e se adapte o forte à realidade da artilharia da época. O projeto ficou a cargo do engenheiro-mor do Reino, o francês Charles Lassart, auxiliado pelo bailio Brás Pereira Brandão. As obras decorreram entre 1646 e 1653. Deste alargamento sacrificou-se a igreja e a residência beneditina que foram parcialmente demolidas.
Apresenta um traçado irregular de quadrilátero retangular com três baluartes e um meio baluarte. O acesso é feito por um portal neoclássico com ponte levadiça, construído em 1796 pelo engenheiro Reinaldo Oudinot.

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Foz do Douro

Portugal \ Porto \ Porto \ União das Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde

Povoação situada a 7 km a oeste do Porto, sua sede de concelho. Localizada na margem norte da foz do rio Douro.
É um dos lugares mais procurados para lazer e passeio na cidade do Porto. Conhecida por ser uma zona habitada pela classe alta.
A área urbana da Foz Velha, localizada entre o rio e o mar, está classificada como Conjunto de Interesse Público desde junho de 2013. Foi nesta zona que se fixaram as primeiras comunidades.
Os primeiros documentos conhecidos relacionados com este território datam de 559, da autoria do monge Hauberto Hespalense e do Frei beneditino Manuel Pereira de Novais. Estes religiosos falam da construção de um Mosteiro conhecido por Fraucotense ou da Foz, em agradecimento pelo desembarque dos embaixadores do rei Suevo Reciário, o Ariarico, que transportavam umas relíquias, e da criação da Vila de São João da Foz do Douro.
A evolução da Foz do Douro como povoado terá acontecido em meados do século XII, servindo como ancoradouro para a entrada na Cale e para a realização de determinadas atividades, como a pesca e a lavoura.
Em 1570, durante o reinado de Dom Sebastião, foi erguido ao redor da igreja e palácio de São João Baptista, um Forte para defender a entrada do rio. Adaptado em 1642 à nova realidade da artilharia da época.
Em 1834, em consequência de serem abolidos os foros eclesiásticos e extintas as Ordens Religiosas, a Foz do Douro vive um novo período. Esta abolição tornaria a vila de São João da Foz, em setembro do mesmo ano, em sede concelho independente.
A 26 de Novembro de 1836, um Decreto-Régio acabou com a autonomia da vila, passando esta a fazer parte das freguesias do concelho do Porto. A partir de então, a Foz começa a evoluir progressivamente, progresso quase derivado exclusivamente ao aparecimento dos transportes e da moda dos banhos. Esta moda veio de França e fez com que a Foz, nas épocas balneares, fosse frequentada por muita gente. Muitas famílias aristocráticas e burgueses do Porto fixaram aqui as suas residências de verão, cujo traçado exibia um forte ascendente francês e um gosto mais sóbrio marcado pela presença da colónia britânica portuense, ao ponto de uma das praias mais frequentadas ao tempo, ser denominada “dos Ingleses”.
A 28 de janeiro de 2013 a sua freguesia foi extinta e integrada na União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde.

sábado, 11 de julho de 2020

Jardim do Passeio Alegre

Portugal \ Porto \ Porto \ União das Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde


Avenida de Dom Carlos I e Rua do Passeio Alegre, Porto.
Está localizado ao longo da margem do rio Douro, junto à sua foz.
Jardim público, de carater romântico, inaugurado em 1892. Foi construído no local da antiga Alameda, outrora um amplo terreiro que servia como aterro das muitas obras que nos meados do século XIX se realizaram na barra do Douro. Antes da “Alameda”, o que havia, naquele mesmo espaço, era um longo areal e uma praia onde os pescadores estendiam as suas redes.
Foi inicialmente arborizada com árvores vindas propositadamente da Alemanha.
É ladeada à beira-rio por uma alameda de palmeiras das Canárias, classificada como interesse público.
Mas o Passeio Alegre não é só o jardim. Tem muitos outros atrativos, como os dois obeliscos à entrada do jardim, dois lagos, um coreto, sanitários públicos em estilo Arte Nova, um campo de minigolfe, um chafariz ou o chalé do Carneiro.
A nascente é adornada por belas moradias de curiosa arquitetura oitocentista.


Fontes:

sábado, 4 de julho de 2020

Cais e Estaleiro do Ouro

Portugal \ Porto \ Porto \ União das Freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos


Rua do Ouro, Lordelo do Ouro, Porto.
Localizados na outrora Praia do Ouro, junto à ribeira da Granja.
O seu estaleiro foi criado em tempos antiquíssimos, sabendo que já existia no século XII. Beneficiava de um areal extenso, junto a uma das profundidades do rio Douro. Era destinado inicialmente para a construção de embarcações em madeira, chegando a ser considerado o mais importante do Porto. A expansão do comércio marítimo trouxe uma grande importância ao estaleiro, que passou a dispor de condições para a construção de caravelas e naus. Daqui saíram as embarcações que seguiram para o cerco de Lisboa ou para as Armadas que partiram para a conquista de Ceuta e de Alcácer-Ceguer, bem como para a primeira Viagem Marítima à India. Também lá foi construído, em 1867, a maior galera existente, à época, em Portugal, com 1100 toneladas e de seu nome América.
Com o passar dos anos, as embarcações eram de maior porte e a sua construção passou a estar em risco por causa da profundidade da água, o que originou uma emigração de boa parte dos seus trabalhadores para outros estaleiros existentes no país.
Nos últimos anos eram apenas as traineiras e outros barcos de pequeno porte destinados à pesca que mantinham a estrutura em funcionamento. Operou até 2005, altura em que foi abandonada.

cacadevolutos.pt/estaleiro-do-ouro/

domingo, 17 de maio de 2020

Igreja de São Francisco do Porto

Portugal \ Porto \ Porto \ União das Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória

Rua do Infante Dom Henrique, Porto.
Classificado como Monumento Nacional desde 23 de junho de 1910.
Igreja conventual construída entre 1383 e 1410. É o que resta do antigo mosteiro franciscano fundado em 1245. Trata-se do único exemplar da arquitetura gótica na cidade.
Apresenta, no seu aspeto geral, a feição primitiva, apesar de ao longo dos anos ter passado por muitas reformas. A principal terá acontecido entre 1771 e 1778.
Entre 1810 e 1822, o convento foi ocupado pelas tropas portuguesas que ali instalaram um hospital militar e a 9 de julho de 1832 foi ocupada por um aquartelamento do Batalhão de Caçadores 5.
Em 1833, no final do cerco do Porto, um incendio provocado pelo tiroteio miguelista destruiu parte das instalações conventuais. Uma década depois, foi construído nessas ruínas o Palácio da Bolsa.

A fachada principal é escalonada em três panos, separados por contrafortes, sendo visível apenas dois, pois o da esquerda está encoberto pelo Palácio da Bolsa. O central é rasgado por pórtico de verga reta ladeada por duplas colunas salomónicas que suportam entablamento. Este é encimado por nicho com imagem, ladeado por almofadas em losango, colunelos salomónicos e pilastras. Termina em frontão ondulado interrompido por cruz, flanqueado por pilastras. A grande e bela rosácea que orna a frontaria é composta por colunelos radiantes ligados por arcos. Simboliza a Rota Fortuna. O pano termina em empena, coroado por cruz. O pano lateral é rasgado apenas por fresta de arco quebrado.
A fachada lateral é rasgada por duas frestas maineladas e pórtico em arco quebrado de várias arquivoltas aberto em gablete. Ao nível da nave central rasgam-se cinco janelas.

O transepto, a capela adossada e a cabeceira são reforçadas por contrafortes e rasgadas por frestas ou rosácea, na capela.

O interior apresenta planta em cruz latina, constituída por três naves escalonadas de quatro tramos, transepto saliente e cabeceira tripla.
Possui um dos interiores mais ricos e esplendorosos de todas as igrejas portuguesas, sendo considerada como a mais rica do Norte de Portugal. Famosa pela sua sumptuosa talha dourada dos séculos XVII-XVIII, contendo mais de 200 kg de ouro no seu revestimento escultórico.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Igreja dos Terceiros de São Francisco do Porto

Portugal \ Porto \ Porto \ União das Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória

Largo de São Francisco, Porto.
Encontra-se adossada à Casa do Despacho e à Igreja de São Francisco.
Igreja da Venerável Ordem Terceira de São Francisco, fundada em 1633, numa capela dos claustros do Convento de São Francisco (local onde hoje se encontra o Palácio da Bolsa).
Data de 1646 a edificação da primeira capela no lugar onde hoje se situa a igreja. O atual templo é uma ampliação datada de 1794, projeto de António Pinto de Miranda, que foi o primeiro a utilizar o estilo neoclássico no Porto.
A frontaria, de dois registos, está dividida em três panos delimitados por colunas avançadas. No piso inferior, o portal é encimado por cartela com inscrição rematada por cornija, estando ladeada pelas estátuas da Humildade (esquerda) e da Penitencia (direita). No registo superior é rasgada, em cada pano, por janelões com gradeamento em losangos, encimadas por cornija com óvulos, iguais às do frontão. Este é formado por tímpano quebrado decorado ao centro por brasão da Ordem encimado por coroa real. É sobrelevada ao centro pela figura da Fé e nas extremidades pelas imagens da Esperança e da Caridade.
O interior, de nave única e capela-mor mais estreita e baixa, tem cobertura em abóbada de berço decorada com estuques relevados e pinturas de temática angélicas. A nave, dividida em seis tramos, é constituída por guarda-vento, coro alto com órgão de tubos, quatro retábulos colaterais (dois em cada parede da nave) e dois púlpitos confrontantes. O arco triunfal, de volta perfeita, é encimado por entablamento sobreposto pelas armas da Ordem e de Portugal, encimados por coroa régia. A capela-mor, dividida em três tramos, é constituída por cadeiral confrontante e retábulo-mor em talha branca e dourada. Este apresenta tribuna em arco pleno, albergando trono de sete degraus, ladeado por dois pares de colunas. É antecedido, ao centro, por sacrário em forma de
templete e, nos extremos, pelas imagens de Santa Margarida Cortona (lado do Evangelho) e de São Luís de França (lado da Epístola). Termina em frontão triangular, rodeado de imagens femininas, encimado no vértice por dois anjos a segurarem cruz latina.
Adossada a todo o comprimento da igreja, do lado do Evangelho, situa-se a sacristia e a capela de Nossa Senhora das Dores, com acesso pelas portas laterais da igreja.
Sob o corpo da igreja, em cripta abobadada assente em arcos plenos, situa-se um cemitério subterrâneo mandado construir em 1795, projeto de António Pinto de Miranda e Vicente Mazzoneschi.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Igreja e Torre dos Clérigos

Portugal \ Porto \ Porto \ União das Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória

Rua dos Clérigos, Porto.
Classificada como Monumento Nacional desde 23 de junho de 1910.
Um dos expoentes do estilo barroco português, obra do arquiteto italiano Nicolau Nasoni, iniciada a 23 de abril de 1732. Foi edificado no local denominado, à época, de Campo da Cassoa, onde eram enterrados os facínoras que morriam na forca.
Apresenta planta fusiforme, sendo a cota mais baixa a igreja, e no extremo poente, a torre. A unir ambas as construções encontra-se a Casa da Irmandade ou dos Clérigos, onde funcionou o hospital dos Clérigos Pobres.
O projeto inicial contemplava duas torres, no entanto, a Irmandade do Clérigos decidiu, a 1 de dezembro de 1746, construir apenas uma.
A conclusão do edifício da Irmandade e das obras da igreja deu-se por encerradas apenas em 1758.
O projeto e o acompanhamento das obras, por parte de Nasoni, não foram pagas, pois o italiano apenas desejou ser membro da Irmandade. Também, conforme seu pedido, foi sepultado na igreja, em lugar secreto.

A igreja, dedicada a Nossa Senhora da Assunção, tem forma octogonal, estando a sua fachada, em cantaria, dividida em dois níveis separados por cornija e em três tramos separados por pilastras. É antecedido por escada dupla decorada com vasos floridos e fogaréus.
A porta da fachada, de verga reta, dá acesso à capela subterrânea de Nossa Senhora da Lapa, concluída em 1749. Não dá acesso à igreja.
Sobre a porta eleva-se um amplo janelão curvo ladeado por duas janelas sobrepujadas por decoração vegetalista. No nível superior é constituído por janelão com mitra papal adiantado, ladeado por nichos com as imagens de São Pedro e São Paulo. Termina em frontão interrompido, com tímpano profusamente decorado e cruz de três braços na empena e pináculos nos cunhais.
O alçado lateral é coroado por balaustrada que se prolonga até à capela-mor, de onde se destaca janela com rico emolduramento encimado por frontão interrompido.
O interior tem cobertura em abóbada de nervuras ostentando amplo medalhão ao centro. É ritmada por pilastras que ladeiam quatro capelas com retábulos e sanefas em talha dourada, dois púlpitos e quatro portas encimadas por tribunas com varandas trabalhadas. O arco triunfal, sobrepujado por sanefa de talha dourada, antecede a capela-mor. Esta, coberta por abóbada de cruzaria, alberga dois cadeirais encimados por órgãos e amplo retábulo com trono de mármore, desenhado por Manuel dos Santos.
Originalmente a nave era iluminada por um pesado zimbório envidraçado que, em 1786, rachou a abóbada e acabou por ser removido.

A Casa da Irmandade é constituída por três pisos e mezanino superior. Tem ao centro porta de verga reta com frontão interrompido, janela de sacada curva no segundo piso e, acima desta, balcão sobre cachorros que antecedem janela encimada por frontão.
No edifício situa-se o Museu da Irmandade dos Clérigos, a Sacristia, a Casa do Despacho, a Sala do Cofre e a antiga Enfermaria.

A imponente e emblemática torre sineira, com 76 metros de altura (a mais alta de Portugal), foi edificada entre 1754 e 1763, sendo considerada o ex-líbris da cidade.
Edificada em granito, tem base quadrada e está dividida em seis registos por cornijas e cunhais arredondados. Tem como curiosidade, a existência de dois campanários.
É composta no piso inferior por pórtico encimado por medalhão com um texto de São Paulo na carta aos romanos e, por cima deste, um nicho com a imagem de São Filipe de Nery. Ao nível do segundo registo é composto por janela, enquanto no terceiro alberga sineira com frontão triangular, encimado por medalhão com monograma AM e chaves de São Pedro. É neste piso que se encontra o carrilhão composto por 49 sinos (inaugurado em 24 de junho de 1995), um dos maiores do país. O quarto registo exibe uma moldura e os dois últimos, mais recuados, dispõem de varanda com balaustrada e fogaréus nos cunhais, situando-se no superior, quatro sineiras. Termina em cúpula bolbosa de secção quadrada. 
Para chegar ao topo é necessário percorrer 233 degraus. No entanto, vale bem o esforço e o desafio de subir a sua longa escadaria. A vista sobre a cidade é deslumbrante!

domingo, 26 de abril de 2020

Paço Episcopal do Porto

Portugal \ Porto \ Porto \ União das Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória
         
Terreiro da Sé, Porto.
Pomposo palácio classificado como Monumento Nacional desde 23 de junho de 1910.
O primeiro paço terá sido construído no segundo quartel do século XII, beneficiando de obras e ampliações ao longo dos séculos, sendo considerado, inclusive, em finais do século XVII, pelo monge beneditino Frei Manuel Pereira de Novais, como melhor do que qualquer palácio de prelados em toda a Espanha. 
A atual configuração, barroca, remonta às reformas empreendidas entre 1734 e 1771, segundo projeto de Nicolau Nasoni e execução do mestre Miguel Francisco da Silva.
Em 1832, durante o cerco do Porto, o edifício foi muito danificado, chegando a albergar uma bateria de defesa da cidade. A sua reparação deu-se entre 1843 e 1854, durante o bispado de Dom Jerónimo José da Costa Rebelo.
Entre 1916 e 1957 funcionou como sede da Câmara Municipal.
A fachada principal, de três pisos, apresenta pilastras nos cunhais e cornija decorada. É composta por embasamento em cantaria, encimado por mezanino com janelas molduradas, ligadas alternadamente às janelas do primeiro piso. Estas são encimadas por bandeiras aliadas às do piso superior, coroadas com aparatosos frontões, alternadamente diferentes. Ao centro, em estrutura de cantaria, portal de arco pleno ladeado por pilastras e rematado por um frontão guarnecido e por um balcão de recorte elegante sobre o qual se ergue uma janela coroada pelas armas do bispo Dom João Rafael de Mendonça ou dos condes de Vale dos Reis, que interrompe a linha do telhado.
O interior possui um pátio central e uma ampla escadaria composta por três lanços, ricamente ornada, com parapeitos ricamente decorados.

sábado, 25 de abril de 2020

Palácio da Bolsa

Portugal \ Porto \ Porto \ União das Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória


Praça do Infante Dom Henrique, Porto.
Sede da Associação Comercial do Porto.
Classificado como Monumento Nacional desde 26 de fevereiro de 1982.
É a casa dos comerciantes e industriais do Porto.
Grandioso palácio ao estilo neoclássico e neopaladino, denotando certa influencia com o Hospital de Santo António, no Porto.
Nasceu no local onde existiu o claustro do Convento de São Francisco, destruído pelas chamas no longínquo ano de 1833, durante o cerco do Porto.
A primeira pedra foi lançada em 6 de outubro de 1842, segundo projeto de Joaquim da Costa Lima. Ainda por terminar, foi inaugurado a 9 de novembro de 1848 e, dois anos depois passou a albergar a Associação. Nas décadas seguintes sucederam-se constantes obras que envolveram o trabalho de muitos arquitetos e se prolongaram até 1910.
Com a implantação da Republica, o Palácio é arrolado e passa a albergar a sede da Câmara Municipal do Porto, sendo restituído à Associação a 10 de janeiro de 1918.

Pátio das Nações é o nome dado ao pátio interior do Palácio da Bolsa. Aqui se reuniam os negociantes e corretores da bolsa.
O pavimento, em mosaico, inspira-se em modelos greco-romanos descobertos em Pompeia.
O primeiro piso é composto por arcos de volta perfeita envidraçados, enquanto o andar nobre é percorrido por balaustrada de ferro e constituído por portas de verga curva e frontão de lanços. É encimado por mezanino com janelas simples.
Os desenhos dos brasões da sanca datam de 1880 e são da autoria de Luigi Manini, sendo finalizados por Silva Pereira e João Batista do Rio. Retratam os países com os quais Portugal mantinha relações comerciais e revelam algumas curiosidades como por exemplo: a bandeira americana, que tem riscas a menos e estrelas a mais para a época; a razão da representação do brasão da Pérsia, visto Portugal não ter relações comerciais com aquele país na época; a substituição do brasão do Shogunato do Japão (terminado em 1868) pelo da Saxónia (atual Alemanha), em homenagem ao rei Dom Fernando II; ou alteração do brasão português, após a implantação da República.
Tem cobertura metálica envidraçada. 

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Pavilhão Rosa Mota

Portugal \ Porto \ Porto \ União das Freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos


Rua de Dom Manuel II, Porto.
Está inserido no interior dos jardins do Palácio de Cristal.
Corria o ano de 1951 quando foi decidido, pela Câmara Municipal do Porto, construir um recinto desportivo, capaz de acolher a preceito, o Campeonato Mundial de Hóquei em Patins, que se iria realizar na cidade, em 1952. Para isso, foi determinado demolir o emblemático e imponente edifício do Palácio de Cristal, erigido para a Exposição Internacional de 1865, exemplar paradigmático da arquitetura em ferro e vidro do século XIX. Mesmo inacabado (sem cobertura), foi neste novo pavilhão que se realizaram a maioria dos jogos, e Portugal sagrou-se Campeão Mundial da modalidade.
O edifício é da autoria do arquiteto José Carlos Loureiro e começou a ser construído em Fevereiro de 1952. Só ficou finalizado em 1955, com a conclusão da cúpula.
Em 29 de Setembro de 1988, o então Palácio dos Desportos, passou a ser denominado por Pavilhão Rosa Mota, em honra desta portuense campeã do atletismo.
Em 1991 foi alvo de profundas obras.
Entre 2017 e 2019 beneficiou de uma relevante reabilitação, reabrindo a 28 de outubro deste último ano como Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota. O projeto de reconstrução foi assinado pelo arquiteto Ferreira de Almeida. Esta regeneração permitiu reerguer o icónico pavilhão numa sala de espetáculos para grandes eventos, com auditório e quatro salas polivalentes.

O edifício apresenta planta circular, coberta por duplo domo rasgado por 768 óculos, dispostos alinhadamente. Termina noutro domo sobrelevado, criando poço de luz, em betão translucido.
As fachadas são marcadas por pilares de perfil curvo, que suportam pala, criando galeria exterior coberta, circundante.
A nave tem cerca de 30 metros de altura.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Hospital de Santo António

Portugal \ Porto \ Porto \ União das Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória

Rua Professor José Vicente de Carvalho, Porto.
Classificado como Monumento Nacional desde junho de 1910.
Construção iniciada a 15 de junho de 1770, por iniciativa da Santa Casa da Misericórdia do Porto, para substituir o antigo Hospital de Dom Lopo, existente na Rua das Flores. O projeto foi entregue ao arquiteto inglês John Carr, que assim introduziu na cidade, o estilo neopaladiano inglês. As obras só ficaram concluídas em 1824.
Apresenta planta em U, no entanto, o plano original previa quatro fachadas, formando um enorme quadrilátero com um pátio central. Este ambicioso projeto nunca chegou a ser finalizado.
É o edifício português que exibe a maior fachada em granito. Dividida em cinco corpos e rematada superiormente por balaustrada. O andar nobre dispõe também de balaustrada e é rasgado por janelas rematadas por tímpano triangular ou em arco, exceto no alinhamento dos torreões do corpo central, que são ladeadas por colunas e rematadas em arco de volta perfeita. As janelas do piso inferior são em volta perfeita, enquanto as janelas no andar superior, do corpo central, são quadrangulares.
O corpo central, um pouco saliente, é composto por três pisos. O piso inferior é constituído por arcadas sobre as quais se elevam seis colunas dóricas que suportam o entablamento e o frontão. Tem nos cantos, pequenos torreões rasgados por óculo.
Os corpos intermédios, iguais, são rematados por frontão. As janelas do andar nobre dão para um terraço abalaustrado, assente em arcada. No corpo da esquerda está instalado o Museu do Centro Hospitalar do Porto.
Os corpos laterais, também iguais, têm no andar nobre, um recuo. Quatro colunas, similares às do corpo central, sustentam entablamento rematado no corpo esquerdo por estátua de Galeno (autoria de António de Almeida e Costa) e, no direito por estátua de Esculápio.
No século XX, foram edificados a poente, novos blocos hospitalares, em local anteriormente ocupado por jardins e parque de estacionamento. Os novos edifícios estão ligados ao primitivo por corredor coberto.
No pátio central encontra-se uma capela dedicada ao Senhor dos Aflitos.