domingo, 29 de janeiro de 2017

Padrão de Louvor a Dom Luís de Meneses

País: Portugal
Concelho: Ansião
Freguesia: Ansião

Rua Dr. Adriano Rego, Ansião.
Mandado erigir em 1686 pelo senado do município de Ansião, como louvor a Dom Luís de Meneses.
Trata-se de um volume prismático de base retangular, dividido em três registos. Acima do pedestal elevam-se dois corpos, o inferior de blocos sobrepostos e o segundo rematado lateralmente por pilastras molduradas com capitéis toscanos. É encimado por entablamento sobrepujado por frontão contracurvado com pirâmide no topo.
Uma lápide com inscrição na face, a meio do corpo superior, perpetua a memória de Dom Luís de Meneses, III Conde da Ericeira e Senhor da vila de Ansião, general de artilharia e conselheiro de Estado do rei Dom Pedro II, nas diversas batalhas travadas, obtendo glória militar e alcançada a paz.

Capela da Misericórdia de Ansião

País: Portugal
Concelho: Ansião
Freguesia: Ansião

Praça do Município, Ansião, adossada ao edifício dos Paços do Concelho.
Templo barroco construído em finais do século XVII, inícios do seguinte.
Apresenta planta retangular composta por nave e capela-mor.
A fachada é rasgada por belo pórtico emoldurado por colunas clássicas e rematadas por pináculos sobre a arquitrave, com frontão preenchido por lavores envolutados, que enquadram um nicho, desprovido de imagem, e encimado por cruz. É ladeado por dois janelões retos com cornija e encimado por óculo. Termina em empena triangular truncada no vértice, onde sobressai sineira reta. 
O interior, de três planos, é coberto por teto em madeira. Dois altares ladeiam o arco triunfal que acede, por grade, à capela-mor com cobertura em abóbada de berço, pintadas ao centro com as armas reais. O altar-mor, revestido em talha policroma, contém imagem da Pietá. No pavimento da nave, junto da capela-mor destaca-se a sepultura brasonada dos Condes de Vila Nova.

Igreja Matriz de Ansião

País: Portugal
Concelho: Ansião
Freguesia: Ansião

Rua Conselheiro António José da Silva, Ansião.
Localizado no interior de um adro murado.
É dedicada a Nossa Senhora da Conceição. 
Templo construído em 1593. Substituiu a igreja velha situada mais a oeste. 
A fachada, simples, é rasgada por portal barroco de colunas caneladas sobrepujado por frontão curvo, e encimado por óculo quadrilobado. Na empena encontra-se um nicho de pedestal saliente com a imagem, em pedra, de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da paróquia. Remata a fachada um frontão de lanços coroado por cruz trilobada. Ao lado ergue-se a torre sineira. 
O interior é de três naves, divididas entre si por cinco tramos em alvenaria que assentam sobre colunas toscanas rematadas por capitéis de tambor, com cobertura em abóbada de berço na nave central e plena nas naves laterais. Está revestida, à exceção das capelas laterais, por um silhar de azulejos azuis e brancos datados do século XIX. A capela-mor, antecedida por arco triunfal, apresenta cobertura em abóbada com caixotões em cantaria e um retábulo com a imagem da padroeira encimada por um resplendor. Alberga imagens renascentistas, em pedra, de São Gregório e São Sebastião.

Pelourinho de Ansião

País: Portugal
Concelho. Ansião
Freguesia: Ansião

Largo do Pelourinho e Rua Dr. Adriano Rego, Ansião, defronte da sede da junta de freguesia.
Classificado como Imóvel de Interesse Público desde 11 de outubro de 1933.
Gracioso pelourinho mandado erguer pelo senado do município em 1686, defronte à residência senhorial dos Condes da Ericeira (atual Paços do Concelho de Ansião). Foi mudado para o atual local em 1902.
É considerado um dos mais belos pelourinhos da região.
Trata-se de um monumento em cantaria de calcário com base composta por soco de dois degraus octogonais, oito esferas colocadas no século XIX que lhe dão um carater original, e base tripartida, também octogonal. Sobre este eleva-se uma coluna com fuste cingido a meio por anel de oito lados, sendo a área inferior octogonal e a área superior circular. Na parte superior do fuste, molduramento retangular cartelado com inscrição que recorda a mercê concedida a Dom Luís de Meneses. Num bloco prismático emoldurado e ornado insere-se um escudo esquartelado com as Armas do Senhor da povoação – o Conde da Ericeira, encimado por coroa. Remata coruchéu encimado por florão. 
No século XIX, a sua base estaria assente sobre degraus de pedra, mas dada a sua deterioração, assentaram-no sobre as oitos bolas de pedra, tantas quantas as freguesias do concelho à data.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Ponte da Cal

País: Portugal
Concelho: Ansião
Freguesia: Ansião

Rua Rainha Santa Isabel, no Lugar de Além da Ponte, Ansião.
Travessia sobre o rio Nabão construída no século XVII. Faria parte da importante via que ligava Coimbra a Lisboa.
Ponte com tabuleiro em cavalete pouco pronunciado, formada por dois arcos de volta perfeita, em cantaria. Outrora era constituída por mais arcos, agora cegos.
Nos parapeitos da parte mais elevada da ponte, é composta por três bancos corridos, em pedra. O muro tinha mais bancos que terão sido retirados na década de 1950.
Sob o primeiro arco possui dois interessantes tanques de banhos, destinados às mulheres e aos homens. O primeiro é constituído por uma pia mais funda onde, segundo a lenda, a Rainha Santa se refrescava na sua passagem por esta região. As águas santificaram-se e práticas milagrosas ocorreram desde então. Iniciou-se assim a tradição dos “banhos santos”, praticados até muito recentemente, geralmente do dia 29 de junho, dia de São Pedro, ao dia 4 de julho, dia da Rainha Santa Isabel.
Junto da margem direita foi erguida uma pequena capela dedicada àquela rainha.
A ponte fica aproximadamente 600 metros da nascente do rio Nabão.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Quinta do Formal

País: Portugal
Concelho: Ovar
Freguesia: União das Freguesias de Ovar, São João, Arada e São Vicente de Pereira Jusã

Rua do Formal, São Vicente de Pereira Jusã.
Quinta antiquíssima. Já constava na demarcação do Couto de Cucujães datado de 1139.
No século XII fazia parte do património da Ordem de Malta.
A partir do século XVII e até aos nossos dias manteve-se na mesma família.
A quinta é composta pela casa solarenga de inícios do século XVIII, capela e jardins. É cercada por alto muro e a entrada é feita através de um portão encimada por cruz ladeada de pilastras.
A casa apresenta volume simples vertical de dois pisos, com cobertura em telhado de quatro águas. Uma bela escadaria em granito dá acesso ao andar nobre.
A capela, dedicada a São José, foi erguida em 1719.

Igreja Matriz de São Vicente de Pereira

País: Portugal
Concelho: Ovar
Freguesia: União das Freguesias de Ovar, São João, Arada e São Vicente de Pereira Jusã

Rua de Porto Igreja, São Vicente de Pereira Jusã.
É dedicada a São Vicente.
A sua origem remonta, pelo menos, desde 1258, ano em que aparece referida como igreja construída de novo.
O atual templo foi iniciado em 14 de fevereiro de 1756, em implementação diferente da anterior, que se situava a cerca de 100 metros. Foi inaugurada em 26 de agosto de 1764.
É constituída por nave de planta longitudinal, capela-mor, torre sineira e corpos simétricos laterais. Toda ela foi revestida, por volta de 1980, a azulejos industriais.
A fachada principal é rasgada por portal flanqueado por pilastras sobrepostas de entablamento, encimado por nicho com escultura do padroeiro, ladeada de aletas, e flanqueado pelas janelas do coro. A base da empena é recortada por óculo circular. A empena, recortada, é rematada no vértice por cruz e pináculos sobre os cunhais.
À esquerda da fachada situa-se a torre sineira, de planta quadrangular, com dois registos, pináculos sobre os cunhais e cobertura hemisférica coroada por cruz de ferro.
O interior, coberto por teto com caixotões de estuques (1908), é revestido por lambris de azulejos industriais (1930) e pavimentos em mármore (1985). Guarda dois púlpitos frontais datados de 1851 e retábulos e sanefas de madeira pintadas a branco, ouro e azul. Duas capelas com arcos de asa de cesto ladeiam a capela-mor. 

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Capela da Torre (São Vicente de Pereira Jusã)

País: Portugal
Concelho: Ovar
Freguesia: União das Freguesias de Ovar, São João, Arada e São Vicente de Pereira Jusã

Rua da Torre, Lugar da Torre, São Vicente de Pereira Jusã.
Dedicada a São José.
Templo eclético mandado edificar em 1866 pelo Padre José Francisco da Silva Pereira.
Em 1880, António Gomes de Oliveira Santos manda-a ampliar com a capela-mor e no século XX a família Meneres, do Porto, oferece a torre sineira.
Apresenta nave de planta longitudinal, nave lateral, capela-mor e torre sineira adossada à direita da fachada principal.
A fachada principal, revestida com azulejos industriais, é rasgada por portal ladeado por dois postigos e encimado pela janela do coro a que se sobrepõe o nicho sobre cornija com a imagem do padroeiro. Todos os vãos são moldurados e de verga reta. Termina em empena triangular, encimada no vértice por cruz e pináculos sobre os cunhais.
A torre sineira, de planta quadrangular e registo único, termina em cúpula hemisférica coroada por cruz de ferro sobre bola, com pilastras nos cunhais e cimalha de cornija. Em cada face, uma ventana de arco pleno.
No interior, coberto por teto de abóbada arrancado de cornija, é revestido por um lambril de azulejos industriais e pavimento em mármore colocados em 1985. Conserva um coro alto com guarda de balaustrada de madeira, um púlpito do lado do Evangelho com bacia de pedra sobre mísula e guarda plena de madeira entalhada pintada a ouro e marmoreado, e um arco triunfal de volta perfeita sobre pilastras. 
A capela-mor, coberta por teto de abóbada rebocada e pintada, é revestida por lambril de azulejos, com pavimento de mosaico. Guarda um retábulo de talha dourada de três nichos, mais largo o central, entre duas colunas de fuste espiralado e alto espaldar decorado com putti.

domingo, 6 de novembro de 2016

Castelo de Penela

País: Portugal
Concelho: Penela
Freguesia: União das Freguesias de São Miguel, Santa Eufémia e Rabaçal

Rua do Castelo, Penela.
Classificado como Monumento Nacional desde junho de 1910. 
Implanta-se sobre uma colina calcária, em posição dominante sobre a vila.
Acredita-se que tem origem numa torre militar romana com a função de vigia da estrada que unia Mérida a Conimbriga e a Braga.
Em 716 foi invadida pelos árabes que aqui erigiram uma alcáçova.
Em 1064 foi tomada por Fernando Magno que a entregou ao conde Dom Sesnando Davides para a repovoar, facto comprovado no seu testamento datado de 1087. Integrava na época a chamada Linha Defensiva do Mondego e tinha como função a guarda avançada de Coimbra.
Em 1116 ou 1117 terá voltado a cair nas mãos dos mouros.
Em 1129 foi reconquistada por Dom Afonso Henriques que o mandou ampliar e converter o castelejo em torre de menagem.
No início do século XIV, Dom Dinis manda edificar a torre de menagem e a cerca da vila, composta por doze torres.
No século XV, o infante Dom Pedro, Duque de Coimbra empreendeu uma grande campanha de obras, com destaque para o Paço Ducal e a reformulação da Igreja de São Miguel, o castelejo e a Porta da Vila.
Em 1755, o Terramoto causou a queda da Torre do Relógio bem como a Porta com o mesmo nome. Para a reconstrução da torre, em 1760, foi sacrificada a pedra desta porta.
No século XX encontrava-se num estado próximo da ruína. A intervenção realizada pela Direção Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais, nas décadas de 1940 e 1950, conferiu-lhe a sua configuração atual. Foram refeitas as muralhas e ameias e desmanteladas as casas adossadas às muralhas bem como a torre sineira setecentista.
O castelo apresenta planta poligonal irregular, de recorte sinuoso, aproveitando o escarpado natural. É constituída pelos estilos sesnadino, românico, gótico (no seu aspeto geral) e manuelino. Alberga no seu interior a Igreja de São Miguel e a casa paroquial/Museu de Arte Sacra.
A Porta da Vila, também chamada de Porta do Cruzeiro, situa-se a sudoeste. Foi erguida no século XV. Apresenta porta em arco pleno, no exterior do qual se começou a estender o arrabalde.
A Porta da Tradição, ou dos Campos, situa-se a nordeste. Foi erguida no século XIV durante a ampliação da cerca do castelo para acesso aos campos. A sua localização dissimulada permitia um trânsito discreto. É composta por uma dupla abertura em cotovelo integrada numa torre quadrangular, de grande eficácia defensiva: para além de dificultar a entrada de rompante das tropas inimigas e a utilização de arietes, encurrala-as num espaço de difícil movimentação, sujeitando-as ao disparo vertical por parte dos defensores do castelo que se encontram no alto das muralhas e torres. Esta saída permite contornar o castelo pelo estreito caminho de ronda entre as muralhas e o despenhadeiro de 90 metros, num percurso de onde se desfruta ampla paisagem envolvente.
Porta do Relógio ou Brecha das Desaparecidas, virada a sul, constitui atualmente a principal entrada no castelo. Era a porta que ligava o arrabalde mais diretamente à igreja. Ficou danificada com o terramoto de 1755 e mais tarde foi demolida. 
O Castelejo ou Torre de Menagem encontra-se no topo do mais alto afloramento rochoso. É o troço mais antigo do castelo, construído entre as décadas de 1070 e 1080 por Dom Sesnando. Esta pequena estrutura de recorte irregular aproveita de forma excecional o acidentado do relevo para garantir a segurança da estrutura. Constituía à época uma fortaleza perfeitamente autónoma, munida de todos os elementos essenciais: panos de muralha, pátio para albergar uma guarnição militar e um número reduzido de portas. No centro situava-se uma ampla cisterna escavada na rocha, para a recolha e armazenamento das águas pluviais, essencial à sobrevivência da população em caso de cerco. Foi Dom Afonso Henriques, após a conquista aos mouros, que a converteu em torre de menagem. 

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Igreja de São Miguel de Penela

País: Portugal
Concelho: Penela
Freguesia: União das Freguesias de São Miguel, Santa Eufémia e Rabaçal

Igreja situada no interior do castelo de Penela.
Igreja Matriz de Penela.
A mais antiga referência a esta igreja remonta ao foral de Dom Afonso Henriques, datado de 1137. Nela refere a existência de um templo no interior do castelo.
Em 1160 já aparece como invocação a São Miguel.
Cerca de 1420 foi profundamente remodelada pelo infante Dom Pedro, Duque de Coimbra e Senhor de Penela. A grande devoção que Dom Pedro tinha ao Arcanjo São Miguel levou-o a doar à igreja uma relíquia do mártir São Sebastião, uma pequena parte do crânio que o Papa Martinho V lhe tinha oferecido. Deixou escrito em testamento que a relíquia devia ser permanentemente iluminada com o azeite proveniente destes seus domínios. A relíquia acabou por desaparecer, eventualmente, durante as invasões francesas.
A atual edificação resulta de uma ampla reforma na segunda metade do século XVI, em traça renascença coimbrã.
O aspeto exterior que hoje mantém é resultado da intervenção de cerca de 1950, altura em que lhe foi acrescentada a torre para a colocação do relógio, retirado de uma das torres do castelo.
É composta por três naves divididas por duas arcadas, capela-mor, torre sineira e sacristia.
A capela-mor, antecedida por arco triunfal, é toda ela revestida a talha dourada na sua maioria do século XVII ou inícios do XVIII. Conserva painéis laterais com pinturas barrocas representando São Miguel.
Lateralmente ao arco cruzeiro existem dois altares, também de talha dourada barroca. No da esquerda destaca-se uma interessante imagem em pedra de Ançã representando a Virgem com o Menino executada por João de Ruão em data próxima de 1530. Realce ainda para a imagem de Santa Ana executada no século XIV.
A sacristia alberga uma tela representando São Miguel na pesagem das almas, proveniente do altar-mor.
Destaque ainda para uma pia batismal manuelina.