segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Santuário de Fátima

Portugal \ Santarém \ Ourém \ Fátima


Avenida de Dom José Alves Correia da Silva, Fátima.
Um dos mais famosos Santuários Marianos do Mundo.
O Santuário de Fátima é local de devoção a uma escala prodigiosa, um destino de peregrinação a par com Santiago de Compostela ou Lourdes. É visitado anualmente por milhares de peregrinos.
Todos os dias cumprem-se sentidas promessas e devotadas orações. Emocionam as cerimónias do 13 de Maio, evocativas da Primeira Aparição de Nossa Senhora aos Três Pastorinhos (Jacinta, Francisco e Lúcia), ocorridas neste preciso local (onde se ergue a Cruz e a capela das Aparições) entre esta data e 13 de Outubro de 1917.
Lúcia dos Santos (22 de Março de 1907-2005) e os primos Francisco (1908-1919) e Jacinta (1910-1920), que eram irmãos, costumavam pastar o gado nos terrenos que rodeavam Aljustrel. Segundo os relatos, na Primavera de 1916, enquanto guardavam as ovelhas na Loca do Cabeço, próximo da localidade, apareceu-lhes um anjo. Somente no dia 13 de Maio, quando os pequenos pastores encontravam-se com as ovelhas na Cova da Iria, uma propriedade que pertencia aos pais da Lúcia, apareceu Nossa Senhora pela primeira vez, em cima de uma azinheira pequena, a qual lhes ordenou que voltassem à árvore no mesmo dia durante seis meses. A aparição voltou a acontecer nas datas combinadas, à exceção de Agosto, já que nesse dia, os pastorinhos encontravam-se presos em Vila Nova de Ourém, depois de terem sido levados pela autoridade administrativa do concelho, que não acreditava nas visões das três crianças. Nesse mês, a Virgem apareceu-lhes no dia 19 nos Valinhos.  A 13 de Outubro apareceu pela sexta e última vez. Nesse dia, não foram só os pastorinhos que presenciaram algo de sobrenatural. Depois das crianças terem sido desacreditadas, as visões de Fátima começaram a ganhar adeptos e assim se explica a presença de cerca de 70 mil pessoas na Cova da Iria para assistir ao milagre do Sol, que a Virgem já tinha anunciado. Os que ainda são vivos, alguns deles familiares dos pastorinhos e residentes em Aljustrel, nunca mais se esqueceram desse dia em que o Sol ficou diferente. Muitos falam do “milagre do Sol”, mas só Lúcia ouviu os três segredos de Fátima durante a última aparição. O primeiro falava de paz (foi durante a Primeira Grande Guerra) e o segundo era a respeito da Rússia. O terceiro, revelado na beatificação de Francisco e Jacinta a 13 de Maio de 2000, refere-se à tentativa de assassinato do papa João Paulo II em 1981.
Francisco e Jacinta morreram vítimas de pneumónica, que grassava na época e Lúcia seguiu a vida conventual, falecendo em 2005.
Só em 1930 a Igreja considerou “dignas de crédito as visões das crianças na Cova da Iria”.

O santuário tem um recinto duas vezes maior do que o de São Pedro, em Roma.
A Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima domina a imensa esplanada. A sua construção iniciou-se em 13 de Maio de 1928, após ser benzida pelo arcebispo de Évora, Dom Manuel da Conceição Santos. Foi projetada pelo arquiteto holandês G. Van Kriecken, em pedra calcária branca da região. A sagração deu-se a 7 de Outubro de 1953, pelo Papa Pio XII.
A monumental basílica, em estilo neobarroco, exibe 69 metros de comprimento e 30 metros de largura, sendo a torre de 65 metros de altura encimada por uma coroa de bronze com 8 toneladas de peso e duas alas laterais, onde se encontram dois hospitais. Possui 15 altares de mármore de Estremoz, de Pêro Pinheiro e de Fátima, dedicados aos 15 mistérios do rosário, nos quais estão sepultados Jacinta e Francisco Marto, e recentemente Lúcia dos Santos. 
O quadro do altar-mor representa a Mensagem de Nossa Senhora aos Videntes, preparados pelo Anjo de Portugal, através do seu encontro com Cristo na Eucaristia. Vêem-se o bispo da diocese, Dom José de joelhos, do lado esquerdo, e as figuras dos papas Pio XII (que consagrou o Mundo ao Imaculado Coração de Maria, em 1942), João XXIII e Paulo VI. Os vitrais representam cenas das aparições e invocações da Ladainha de Nossa Senhora. Nos quatro cantos do interior da Basílica encontram-se as estátuas dos grandes apóstolos do Rosário e da devoção ao Imaculado Coração de Maria: Santo António, Maria Claret, São Domingos de Gusmão, São João Eudes e São Estêvão, rei da Hungria. Na capela-mor, encontram-se os restos mortais de Dom José Alves Correia da Silva, primeiro bispo de Leiria-Fátima, depois da diocese ter sido restaurada. O órgão data de 1952 e tem mais de 10 mil tubos.

A Capelinha das Aparições é o verdadeiro coração do Santuário, situado na ampla esplanada fronteira à Basílica, do lado esquerdo, a umas centenas de metros daquela. Foi o primeiro edifício a ser construído na Cova da Iria, em 1919. Alberga a imagem de Nossa Senhora, obra do escultor tirsense José Ferreira Thedim (1920), no local exato onde a Virgem apareceu e onde estava a pequena azinheira, desaparecida devido à devoção dos primeiros peregrinos que a levaram, raminho a raminho. A primeira Missa foi ali celebrada no dia 13 de Outubro de 1921. A 6 de Março de 1922 foi dinamitada, e reconstruída ainda nesse mesmo ano. Em 1982 foi construído o vasto alpendre, inaugurado aquando da visita do Papa João Paulo II em 12 de Maio do mesmo ano. No interior, uma coroa da Virgem guarda a bala extraída ao papa João Paulo II aquando da tentativa de assassínio.

Foi debaixo da Azinheira Grande que os pastorinhos e os primeiros peregrinos rezaram o terço aguardando a chegada de Nossa Senhora. A azinheira simboliza toda a área onde os pastorinhos costumavam apascentar o rebanho.

No centro da praça do Santuário encontra-se o Monumento ao Sagrado Coração de Jesus, local onde em 1921 brotou água inesperadamente. Ergue-se sobre um poço cavado, cuja água que ali brota tem sido instrumento de muitas graças.

A Esplanada é um projeto de Cottinelli Telmo, datado de 1949.
O arranjo arquitetónico do Santuário e da Colunata é datado de 1951, da autoria de António Lino. A Colunata enquadra a Basílica e abre os braços em direção à esplanada. É composta por 200 colunas e meias colunas, e por 14 altares. Sobre esta construção podem ver-se as estátuas de quatro santos portugueses: São João de Deus, São João de Brito, Santo António e o beato Nuno de Santa Maria. De um lado e de outro, da esquerda para a direita, encontram-se: Santa Teresa de Ávila, São Francisco de Jales, beato Marcelino de Champagnat, São João Baptista de La Salle, São Afonso Maria de Ligório, São João Bosco com São Domingos Sávio, São Luís Maria Grignion de Mofort, São Vicente de Paulo, São Simão Stock, Santo Inácio de Loyola, São Paulo da Cruz, São João da Cruz e Santa Beatriz da Silva. A união da Colunata com a Esplanada é feita por uma escadaria monumental.
Na extremidade do braço meridional da colunata situa-se a Capela do Anjo da Paz, inaugurada em 1987 com o nome de Capela da Oração. Colocada sobre a porta de entrada eleva-se uma escultura da autoria de Clara Menéres, inaugurada em 20 de novembro de 2016. Trata-se da imagem do Anjo da Paz, representado por um vulto de expressão jovem, embrulhado num manto branco, com uma pomba numa mão e o ramo da oliveira na outra, numa clara referência ao Antigo Testamento.

Na entrada do Santuário, do lado sul, encontra-se um monumento constituído por um módulo de betão do Muro de Berlim (começado a construir na noite de 12 para 13 de Agosto de 1961 e demolido a partir de 9 de Novembro de 1989). Este bloco foi oferecido por intermédio de um emigrante português na Alemanha e aqui colocado como grata recordação da intervenção divina, prometida em Fátima, na queda do comunismo. Pesa 2600 kg, mede 3,6 metros de altura e 1,2 metros de largura. O arranjo do monumento é do arquiteto J. Carlos Loureiro. Foi inaugurado em 13 de Agosto de 1994.

Junto à Reitoria existe um Presépio da autoria do escultor José Aurélio, inaugurado em 25 de Dezembro de 1999.

A Igreja da Santíssima Trindade é a última construção erigida no Santuário, da autoria do arquiteto grego Alexandros Tombazis Foi inaugurada a 12 de Outubro de 2007. Tem capacidade para nove mil pessoas sentadas. O destaque vai para a parede do fundo do altar, com mais de 500 m2, que inclui vários desenhos de inspiração ortodoxa sobre folha de ouro em relevo. A igreja guarda a primeira pedra oferecida pelo Papa João Paulo II. 

A estátua do Papa João Paulo II encontra-se no adro da Igreja do Santíssimo Sacramento. É uma obra da autoria de Czeslaw Dzwigaj, de nacionalidade polaca, a mesma do Papa Peregrino.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Bruçó

Portugal \ Bragança \ Mogadouro \ Bruçó

Aldeia duriense situada a cerca de 19 km a sul de Mogadouro, sua sede de concelho.
Encontra-se a 626 metros de altitude, no relevo terminal do planalto mirandês, junto à margem direita do rio Douro, que a separa das terras espanholas, em pleno Parque Natural do Douro Internacional.
É uma povoação essencialmente agrícola e cheia de tradições.
O casario é composto por inúmeras casas seculares, algumas delas ainda em pedra. Tem duas principais praças: a da Igreja, popularmente chamada de Olmo, dada a existência outrora da dita árvore; e a da Calçada, onde se situa o pouco comércio que ainda mantém (café e mercearia). O Largo da Calçada é palco das principais festas da freguesia e local de encontro e convívio entre as gentes locais. É comum a presença de animais junto à fonte.
O rio Douro corre em tão enorme profundidade entre tão abruptas penedias, que só as aves de rapina lá conseguem ir. As restantes arribas são férteis e proporcionam boa azeitona, mais tarde convertida em ótimo azeite. Também a vinha se dá bem nestas terras, assim como as culturas cerealíferas, a amendoeira e o castanheiro.

É povoada desde tempos remotos. No sítio do Castelo dos Mouros foi erguido um castro durante a Idade do Ferro, mais tarde romanizado.
A partir do século XIII passou a pertencer à vila da Bemposta, donatária dos marqueses de Távora.
Em 1512 aparece a primeira referência escrita a Bruçó, no foral da vila de Bemposta, à qual pertencia.
Em 1759, após o Processo dos Távoras, passou a pertencer ao padroado real e a ser governada por um juiz de vara e quatro homens de governança, quatro quadrilheiros, dois alcaides e um procurador, todos sujeitos à justiça de Mogadouro.
Em 1950 atingiu o seu pico populacional: 804 habitantes.

No aspeto económico, a população vive essencialmente da agricultura e da pecuária. A construção civil e o pequeno comércio são atividades relativamente recentes.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Serra da Figueira

Portugal \ Bragança \ Mogadouro \ União das Freguesias de Mogadouro, Valverde, Vale de Porco e Vilar de Rei

Montanha situada junto à povoação da Figueira, a cerca de 3 km a sudoeste de Mogadouro.
Atinge uma altitude máxima de 918 metros e tem uma proeminência topográfica de 159 metros.
O cume da montanha é constituído por uma crista rochosa que se estende de nordeste a sudoeste. Na parte nordeste foi construída uma torre de vigia e colocadas algumas antenas de comunicação. Na zona mais a sudoeste foi erguida a pequena capela de São Cristóvão.
Proporciona um excelente miradouro sobre a vila de Mogadouro e sobre os cumes circundantes da serra de Mogadouro, Reboredo, Bornes e Nogueira, bem como o planalto mirandês.
Dispõe de parque de merendas.
No alto da serra terá existido um povoado, de médias dimensões, com excelentes condições de defesa e controlo visual sobre o planalto Mirandês.
Próximo da capela existe um buraco, que o povo chama de Poço dos Mouros, que terá tido exploração mineira durante o período romano.

domingo, 24 de setembro de 2017

Zava

Portugal \ Bragança \ Mogadouro \ União das Freguesias de Mogadouro, Valverde, Vale de Porco e Vilar de Rei

Pequena povoação situada no sopé da serra homónima, a 3 km a sul de Mogadouro, sua sede de freguesia e de concelho. Está separada desta pela ribeira do Juncal.
É uma localidade essencialmente agrícola.
O casario é constituído por habitações antigas, em alvenaria proveniente das serras de Zava e da Figueira. Muitas das suas casas estão degradadas. No interior da povoação encontram-se as capelas de Santo Amaro e do Cemitério.

No alto da sua serra, também conhecida por Cimas de Mogadouro, existiu um castro, do qual pouco existe, tanto pela possível destruição romana quer pelo seu abandono. A serra de Zava não é mais que o prolongamento da serra da Figueira, uma espécie de seu cume secundário, que atinge os 857 metros de altitude.
A referência mais antiga a esta povoação remonta a 1530. Era constituída por seis moradores que, atendendo a diversos fatores de cálculo, deveriam corresponder aproximadamente a 24 habitantes.
Em 1758 aparece referenciada a Quinta da Zava, anexa de Mogadouro.
Em 1796 era composta por 18 fogos e 52 almas (24 homens e 28 mulheres).

No último domingo de janeiro é palco da Festa da Chouriça.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Parque Urbano da Ribeira do Juncal

Portugal \ Bragança \ Mogadouro \ União das Freguesias de Mogadouro, Valverde, Vale de Porco e Vilar de Rei


Parque situado nas margens da ribeira do Juncal, próximo do complexo desportivo da vila e do parque escolar de Mogadouro.
Trata-se de uma zona ambiental de elevada importância para a região dado ser o curso de água mais próximo da malha urbana de Mogadouro. 
Foi alvo de um processo de recuperação de forma a torná-la num espaço agradável, inaugurado em 6 de fevereiro de 2017.
Com uma área de cerca de quatro hectares, o Parque Urbano de Mogadouro está dotado de um espelho de água, circuitos pedonais, circuito de manutenção, parque de merendas, parque infantil e anfiteatro.
Conta com um Centro Interpretativo dedicado ao Mundo Rural e às principais produções agrícolas da vila, como o ciclo do pão e do azeite. 
O CIMR é um equipamento “dinâmico” que permite aos visitantes conhecer o mundo rural da região transmontana e que pretende ser um lugar de aprendizagem através de espaços multimédia, como visionamento de filmes e imagens, e jogos interativos. Integra ainda um espaço para exposições temporárias e um auditório.

domingo, 20 de agosto de 2017

Biblioteca Municipal de Lousada

Portugal \ Porto \ Lousada \ União das Freguesias de Silvares, Pias, Nogueira e Alvarenga

Praça Dr. António Meireles, Lousada.
Instalada no edifício das escolas primárias de Silvares, construídos em 1901 para ensino de ambos os sexos. Projeto-tipo Adães Bermudes.
Entre 1941 e 1945 beneficiou de obras de beneficiação.
Em 1999 deixou de funcionar como escola e no ano seguinte iniciaram as obras interiores para o adaptar a novos usos. Foi inaugurado como Biblioteca Municipal em 2002.
Tem planta retangular e é composta por três volumes principais, sendo o central mais alto, de dois pisos, destinado à residência dos dois professores, e os laterais destinados às salas de aula. Os panos extremos são levemente salientes e terminam em empena, encimados por sineira retangular de granito.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Monumento ao Bispo Dom António Meireles

País: Portugal
Concelho: Lousada
Freguesia: União das Freguesias de Silvares, Pias, Nogueira e Alvarenga

Avenida Senhor dos Aflitos, à entrada da escadaria que dá acesso à capela do Senhor dos Aflitos, Lousada.
Monumento que homenageia o lousadense Dom António Augusto de Castro Meireles, Bispo de Angra do Heroísmo e do Porto.
Dom António Meireles nasceu em 13 de agosto de 1885 na Casa da Fonte, em Boim (Lousada) e faleceu a 29 de março de 1942, no Paço Episcopal da Torre da Marca, no Porto.
Fez os seus estudos no Seminário dos Carvalhos e no Colégio de Nossa Senhora do Carmo, em Penafiel, ingressando mais tarde no Seminário do Porto, onde cursou Teologia no ano de 1903, sendo ordenado padre em 1908. Já na Universidade de Coimbra, formou-se em Teologia e Direito no ano de 1912, tendo aberto nesse ano escritório de Advogado no Porto.
Nas eleições gerais de 1915, conseguiu ser eleito pelo círculo de Oliveira de Azeméis, sendo então o primeiro e único deputado dos grupos políticos católicos a ter assento no Congresso da República.
Mais tarde foi nomeado Bispo de Angra do Heroísmo (1924-1928), Bispo coadjutor do Porto e Bispo titular de Lamia (1928-1929), e Bispo do Porto (1929-1942). 

Solar dos Condes de Santar

País: Portugal
Concelho: Nelas
Freguesia: União das Freguesias de Santar e Moreira

Avenida Viscondessa de Taveiro, Santar.
É pertença da Sociedade Agrícola de Santar (produz vinho do Dão).
A construção do núcleo primitivo da casa remonta ao século XVI, por João Gonçalves do Amaral.
O solar atual é composto por dois corpos diferenciados. O mais baixo corresponde à construção do século XVII, sendo o segundo da centúria seguinte.
É antecedido por passeio lajeado, desnivelado da estrada, com murete baixo, onde assentam frades de pedra acorrentados.
O corpo primitivo desenvolve-se em dois andares, com capela ao centro e remate em empena com cruz. O templo, datado de 1678, é rasgado por portal retangular, encimado por cornija com modilhões onde assenta uma pedra de armas dos Melos, Pais do Amaral e Castelo Branco, entre dois pináculos, sobrepujado por óculo circular profundo e pequeno nicho. Tem campanário lateral. O interior da capela é composto por nave única e abside. É coberto por um teto de caixotões e revestido por um silhar de azulejos padrão. Alberga pinturas e um retábulo de talha dourada seiscentista. No pavimento encontra-se uma sepultura epigrafada do capitão-mor de Senhorim, António Pais do Amaral, com pedra de armas encimada por chapéu eclesiástico.
O corpo setecentista é simétrico e maior, articulado por pilastras rematadas por pináculos, com a zona central mais alta, marcada por frontão triangular contendo brasão de armas.
Adossado à esquerda da fachada situa-se muro com portão encimado por empena polilobada com pedra de armas, flanqueada por pilares rematados por pináculos.
Destaque para a Sala dos Coches com pavimento em tijoleira e teto de madeira sobre três pilares de granito.
A Cozinha Velha, construída em 1690, tem planta retangular. Alberga uma granítica fonte natural tipo relicário (com nicho de Santo António) e tanque quadrangular rasteiro, e uma ampla lareira de cantaria com grande chaminé.
No prolongamento da fachada da Cozinha encontra-se uma fonte datada de 1700, com revestimento azulejar figurativo, azul e branco, com cenas de caça.
Para sul estende-se o jardim e a quinta agricultada com vinha. A quinta, com forma quase retangular, está dividida em terraços, de cotas cada vez mais baixas à medida que se desce a encosta de suave declive. O jardim desenvolve-se em três amplos terraços, cada qual com diferente e rigoroso desenho de buxo. No primeiro terraço surge um jardim de buxo do século XX que joga com roseiras, elementos de água e estatuetas de granito. Os terraços seguintes são em desenho de buxo centenário. É comum aos três terraços um caminho central que termina num enorme lago envolvido por um pequeno bosque.
Num grande pátio junto à casa surge a Fonte dos Cavalos, construída em 1727 por ordem de José de Mello Pais do Amaral. Está revestida a azulejos datados de 1790, da autoria de José Maria Pereira do Cão, representando figuras equestres. Possui no centro um brasão, sobre o qual uma máscara grotesca lança água para um bebedouro de pedra.
No extremo sul do jardim situam-se as adegas, em cuja sala de Provas existe um arco ultrapassado de moldura decorada que assenta diretamente no chão.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Solar do Soito

País: Portugal
Concelho: Nelas
Freguesia: União das Freguesias de Santar e Moreira

Rua Sacadura Cabral, Santar.
Está inserida numa grande propriedade onde se situa o Paço dos Cunhas.
Edifício classificado como Imóvel de Interesse Público desde 30 de novembro de 1993
Palacete construído no século XVIII, pertença da família Coelhos do Amaral.
O imóvel é antecedido por escadaria de dois lanços transversais, convergentes, com corrimão de balaústres.
A frontaria é totalmente preenchida de vãos moldurados com elementos curvilíneos dinâmicos. O piso inferior é constituído por portal flanqueado de pequenas volutas sob lintel em cortina, ladeado por uma janela e uma porta de molduras de frontões curvilíneos. O andar superior é composto por cinco janelas de molduras e frontões curvilíneos e parapeitos em sanefa. Sobre a janela central eleva-se o brasão dos Coelhos Amaral. É rematada por cornija que se arqueia acentuadamente ao centro e coruchéus sobre os cunhais.
Dispõe de um belo jardim com canteiros de buxo e de rosas, nespereiras, cedros, nogueiras, pinheiros, palmeiras e uma carreira de cameleiras. É decorada pelas estátuas de São Filipe Nery e de Nossa Senhora da Conceição e por uma carreira com bancos revestidos a azulejos de figura avulsa e um grande banco de topo com azulejos figurativos azuis e brancos de cercaduras roxo e amarela, com temática de caça e cortesãs, dos séculos XVII e XVIII.
Tem ainda uma grande quinta vinícola, hortas e pomares, incluindo dependências agrícolas, pombal, eira, poço e um mirante. 

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Paço dos Cunhas

País: Portugal
Concelho: Nelas
Freguesia: União das Freguesias de Santar e Moreira

Largo do Paço, Santar.
Inserida numa grande propriedade onde se encontra o Solar do Soito.
Está classificado como Imóvel de Interesse Público desde 30 de novembro de 1993.
Imóvel que tem origem no Solar da Quinta do Casal Bom, um solar de grande nobreza do século XVI, pertença dos antigos donatários de Senhorim, Óvoa e Barreiro.
O atual edifício, em estilo maneirista e barroco, do qual só resta a fachada principal, é uma edificação mandada fazer em 1609 por Dom Pedro da Cunha, aproveitando algumas estruturas do edifício quinhentista.
Em 1641, Dom Lopo da Cunha, filho de Dom Pedro da Cunha, e partidário dos Filipes, fugiu para Espanha e participou numa conspiração contra Dom João IV. Este ato teve como consequência a confiscação dos seus bens, o desterro em Espanha e, consequentemente, o abandono e início da ruína do Paço dos Cunhas.
No século XIX foi comprado por José Caetano dos Reis que o integrou na sua propriedade e reconstruiu parcialmente as antigas cavalariças e a adega.
O que se vê atualmente é a fachada, de tímida curvatura central, e rasgada por belo pórtico flanqueado por duas colunas sobre plintos paralelepipédicos, encimadas de lintel com inscrição epigráfica e com dois florões a ladear o brasão dos Cunhas. As janelas, ao nível do segundo piso, são compostas por balcão de balaústres, e a delimitar a fachada encontram-se pilastras encimadas de coruchéus. Na face interna situa-se pequeno nicho sobre a porta, e a norte e oeste articulam-se dois corpos em L. 
Dispõe de um belo jardim, uma grande quinta vinicola, hortas e pomares, incluindo dependências agrícolas, pombal, eira, poço e um mirante.